Ela leu por aí que bunda é a preferência nacional quando tinha doze anos e resolveu transferir a função de ter aparência de bunda ao rosto, pois julgou que este, por ser belo (na concepção dela, seguindo padrões traçados por renomados editores de revista), ficaria melhor como bunda.
Esqueceu-se ela que, ao realizar tal fato, tranferiu o ânus pra boca. Nunca notou a diarréia verbal que acompanhou suas conversas pela vida toda. Morreu feia, enrugada e com cara de bunda.
Atualmente ninguém se lembra dela. E as bundas continuam um sucesso.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Amargura
Acordei. O som da ausência dentro de mim ecoando e ecoando e devorando minha carne e alma hoje me pareceu estranhamente familiar. Parecia que se eu ficasse em silêncio, assim, quietinho, era possível ouvir o teu doce sorriso quando acordava e me pegava te olhando. Ou então ouvir as gargalhadas que você dava quando eu te fazia cócegas.
Casa vazia, o cheiro daquele chá de romã que você adorava invadindo a cozinha e o meu peito, abrindo as feridas que ainda nem cicatrizaram e fazendo tudo sangrar num sangue vermelho claro transparente que ainda ferve quando esbarra no fundo da caneca. O cheiro do chá continua doce mas o gosto me parece mais amargo. Talvez por estar sozinho, talvez por ainda nao ter escovado os dentes e portar na boca o gosto amanhecido das doses do dia anterior, talvez por um pouco de cada coisa ou muito de uma só. Não sei agora. Pensar nisso faz minha cabeça doer e passo a procurar um analgésico. Como era mesmo aquilo que você fazia? Pressionar os indicadores nas têmporas com leves movimentos circulares? Tento em vão. Talvez isso só funcione se os dedos forem de outra pessoa, ou será que o alívio da dor era porque eu me distraia olhando pra sua expressão séria e preocupada me encarando de frente e acabava me esquecendo de toda dor que sentia, só conseguindo pensar no quanto eu estava feliz do seu lado? Com certeza a última opção é a mais certa.
Me sento na sala para tomar chá, ligo a tv e passo por todos os canais sem olhar nenhum. O que você estaria vendo agora? Desligo, ligo a vitrola e ouço a Dolores, mais uma vez. Assim como ela me pergunto se algum dia aparecerá alguém que ponha fim ao meu tormento. Ouvir sua voz tão triste e rouca chega a ser reconfortante. Passo a imaginar o que você estaria fazendo se estivesse aqui. Talvez estivesse lendo aquele livro do Osho que ainda está onde você deixou. Você mesmo dizia que nunca ia conseguir terminar esse livro, pois cada página demorava dias pra ser completamente digerida. Pego o livro. Trechos grifados, nunca me acostumei com essa sua mania de achar que era a única pessoa que ia ler o livro, ou que todos iam achar seus trechos preferidos interessantes. Leio num desses trechos "o amor verdadeiro é uma incerteza assim como a vida é uma incerteza". Lágrimas deixam meu chá ainda mais amargo. Lembro de você certa vez me dizendo essa frase e eu te contrariando dizendo que éramos pra sempre. E fomos. Pena que esse pra sempre pra vc foi tão curto quanto um soluço desses que dou agora. E pra mim, sem você, parece tão longo...
Tento mais uma vez sair na rua e como sempre dou uma volta no quarteirão engolindo o choro e evitando os olhares dos transeuntes. Tantas lembranças me sufocam assim que tranco o nosso apartamento e desço as escadas. Antes de entrar no prédio e subir respiro fundo e resolvo ser forte. Passo reto sem olhar a porta ou pensar onde meus pés me levam. Desço uma escada e pego um metrô qualquer sem sequer olhar seu destino. Novamente aquelas lágrimas, agora nem me importo mais com os olhares. Uma senhora me pergunta se está tudo bem e tenho vontade gritar à ela que não, que te quero de volta, que tudo isso foi injusto, mas me seguro e digo que sim, está tudo bem, até disfarço dizendo que estou resfriado. Agradeço a preocupação e desembarco na próxima parada. Sem rumo. Sem destino. Sem você.
Paro numa loja de discos e pergunto sobre aquele disco do David Bowie que você queria. Não, ainda não chegou. Saio da loja cantarolando "he could lick them by smiling, he could leave them to hang" e me pego sorrindo enquanto me lembro do dia que você cantou essa música enquanto atravessávamos a cidade voltando pra casa a pé, embriagados de vodka barata e embalados por aquele baseado esperto que você sem vergonha descarademente arranjou seduzindo aquela senhora do bar. Ah como ríamos. Ríamos alto. Ríamos como se o mundo fosse nosso, e nada mais houvesse. Percebo que hoje volto pra casa só com essa última parte de certeza. Talvez ainda haja algo, talvez eu ainda te encontre, quem sabe? Faço uma nota mental pra depois ler um pouco sobre vida após a morte e dou risada de mim mesmo pensando 'meu deus, a que ponto cheguei'. Me lembro outra vez no seu sorriso e me sinto melhor enquanto entro no metrô e deixo que ele me leve de volta pra casa. Entro no apartamento. Me deito e espero por algo que me leve de volta pra vida.
Casa vazia, o cheiro daquele chá de romã que você adorava invadindo a cozinha e o meu peito, abrindo as feridas que ainda nem cicatrizaram e fazendo tudo sangrar num sangue vermelho claro transparente que ainda ferve quando esbarra no fundo da caneca. O cheiro do chá continua doce mas o gosto me parece mais amargo. Talvez por estar sozinho, talvez por ainda nao ter escovado os dentes e portar na boca o gosto amanhecido das doses do dia anterior, talvez por um pouco de cada coisa ou muito de uma só. Não sei agora. Pensar nisso faz minha cabeça doer e passo a procurar um analgésico. Como era mesmo aquilo que você fazia? Pressionar os indicadores nas têmporas com leves movimentos circulares? Tento em vão. Talvez isso só funcione se os dedos forem de outra pessoa, ou será que o alívio da dor era porque eu me distraia olhando pra sua expressão séria e preocupada me encarando de frente e acabava me esquecendo de toda dor que sentia, só conseguindo pensar no quanto eu estava feliz do seu lado? Com certeza a última opção é a mais certa.
Me sento na sala para tomar chá, ligo a tv e passo por todos os canais sem olhar nenhum. O que você estaria vendo agora? Desligo, ligo a vitrola e ouço a Dolores, mais uma vez. Assim como ela me pergunto se algum dia aparecerá alguém que ponha fim ao meu tormento. Ouvir sua voz tão triste e rouca chega a ser reconfortante. Passo a imaginar o que você estaria fazendo se estivesse aqui. Talvez estivesse lendo aquele livro do Osho que ainda está onde você deixou. Você mesmo dizia que nunca ia conseguir terminar esse livro, pois cada página demorava dias pra ser completamente digerida. Pego o livro. Trechos grifados, nunca me acostumei com essa sua mania de achar que era a única pessoa que ia ler o livro, ou que todos iam achar seus trechos preferidos interessantes. Leio num desses trechos "o amor verdadeiro é uma incerteza assim como a vida é uma incerteza". Lágrimas deixam meu chá ainda mais amargo. Lembro de você certa vez me dizendo essa frase e eu te contrariando dizendo que éramos pra sempre. E fomos. Pena que esse pra sempre pra vc foi tão curto quanto um soluço desses que dou agora. E pra mim, sem você, parece tão longo...
Tento mais uma vez sair na rua e como sempre dou uma volta no quarteirão engolindo o choro e evitando os olhares dos transeuntes. Tantas lembranças me sufocam assim que tranco o nosso apartamento e desço as escadas. Antes de entrar no prédio e subir respiro fundo e resolvo ser forte. Passo reto sem olhar a porta ou pensar onde meus pés me levam. Desço uma escada e pego um metrô qualquer sem sequer olhar seu destino. Novamente aquelas lágrimas, agora nem me importo mais com os olhares. Uma senhora me pergunta se está tudo bem e tenho vontade gritar à ela que não, que te quero de volta, que tudo isso foi injusto, mas me seguro e digo que sim, está tudo bem, até disfarço dizendo que estou resfriado. Agradeço a preocupação e desembarco na próxima parada. Sem rumo. Sem destino. Sem você.
Paro numa loja de discos e pergunto sobre aquele disco do David Bowie que você queria. Não, ainda não chegou. Saio da loja cantarolando "he could lick them by smiling, he could leave them to hang" e me pego sorrindo enquanto me lembro do dia que você cantou essa música enquanto atravessávamos a cidade voltando pra casa a pé, embriagados de vodka barata e embalados por aquele baseado esperto que você sem vergonha descarademente arranjou seduzindo aquela senhora do bar. Ah como ríamos. Ríamos alto. Ríamos como se o mundo fosse nosso, e nada mais houvesse. Percebo que hoje volto pra casa só com essa última parte de certeza. Talvez ainda haja algo, talvez eu ainda te encontre, quem sabe? Faço uma nota mental pra depois ler um pouco sobre vida após a morte e dou risada de mim mesmo pensando 'meu deus, a que ponto cheguei'. Me lembro outra vez no seu sorriso e me sinto melhor enquanto entro no metrô e deixo que ele me leve de volta pra casa. Entro no apartamento. Me deito e espero por algo que me leve de volta pra vida.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Da saudade
Estou me sentindo
perdido no ar
cabeça não pensa.
Me falta um sorriso
que só posso dar
com a Tua presença.
perdido no ar
cabeça não pensa.
Me falta um sorriso
que só posso dar
com a Tua presença.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Do momento
Depois de tanto tempo passei a achar que somos como ímãs. Basta estarmos próximos pra não existir nada no mundo que faça cessar essa atração.
domingo, 17 de julho de 2011
Do luar
"Tenho um sorriso bobo
Parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo"
e mais um monte do Renato, uns Tom Zé, Novos Baianos, Chico, Cássia e Raulzito.
Nem a lua conseguiu dormir com tanta cantoria. Ficou lá, olhando de longe, iluminando as risadas até se cansar e ir embora. Sequer ouviu as saideras.
Lua careta.
Parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo"
e mais um monte do Renato, uns Tom Zé, Novos Baianos, Chico, Cássia e Raulzito.
Nem a lua conseguiu dormir com tanta cantoria. Ficou lá, olhando de longe, iluminando as risadas até se cansar e ir embora. Sequer ouviu as saideras.
Lua careta.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Dos cigarros
Aquele toque. Com a ponta dos dedos ele era capaz de fazê-la se sentir bem como raramente se sentia. Era como se da ponta dos dedos dele faíscas quentes se soltassem e penetrassem-lhe os poros, atravessando a pele e circulando pelo corpo em uma velocidade absurda, mais rápido que seu sangue, ela acreditava.
Depois desse toque, vieram outros. Cada vez mais intensos, fervorosos. O torpor causado pelo contato ainda era presente e gradativamente foi se dissipando após se desencaixarem ofegantes.
Foi rápido, ela pensa. Ele se limita a olhá-la. Com a cabeça apoiada no travesseiro, de bruços, a contempla como se olhasse a mais bela obra de Delacroix. Ela se deita na mesma posição e passa a encarar seus olhos escuros como a noite, como se perguntasse o que aconteceria a partir dali, com se buscasse dentro daqueles buracos negros uma saída, uma fuga para qualquer lugar que não fosse aquele.
Sente-se culpada mas não pode evitar. Desde que se encontraram ela quer lhe dizer que está cansada e que seu toque já não lhe interessa mais. Mas essa convicção toda já não existe, o que existe é o toque. Aquele toque, aquela sensação de torpor reaparecendo, aquele abraço forte, aqueles braços que a cercam e pedem que nunca os abandone. A ponta dos dedos dele agora passeiam pela sua face, tão leves que parecem a brisa suave de uma manhã de inverno.
Sentando-se, ela acende um cigarro. Todos os pensamentos que inundam sua cabeça lentamente vão abandonando-a, como se saíssem expirados com a fumaça do tabaco que apoia entre os dedos. Silêncio.
"Achei que tivesse deixado de fumar." - Ele comenta, num tom suave, sem se levantar ou parar de deslizar os dedos pelas suas pernas, na mesma leveza com a qual acariciava seu rosto minutos antes.
"Gosto de fumar. Fumar um cigarro é como esquecer. Quando estive no fundo do poço, era tudo que eu tinha. Acender, fumar, calar a boca. Ele esconde a merda, me impede de enlouquecer e me mantém viva. Me mantém viva... até que eu morra."
Silêncio.
"E porque havia parado?"
"Porque achei que já havia enlouquecido. Havia enloquecido, pirado e nada disso mais adiantava."
"Mudou de idéia?" - Ele diz sentando-se ao seu lado.
Ela o olha por algum tempo antes de dizer que acabou. Que não o ama mais, que os problemas não são com ele. Enquanto diz isso pensa que não é a primeira vez, tampouco a última, que diz exatamente essas palavras. Mas é preciso, isso já foi decidido, e ela prefere não pensar nisso agora. Acende outro cigarro e sai. Em busca da noite, em busca de uma dose. Em busca de qualquer coisa que soe como uma tentativa de não enlouquecer, de ser feliz, de se sentir viva enquanto está.
(Inspirado em Les Amours Imaginaires e em comportamentos próximos)
Depois desse toque, vieram outros. Cada vez mais intensos, fervorosos. O torpor causado pelo contato ainda era presente e gradativamente foi se dissipando após se desencaixarem ofegantes.
Foi rápido, ela pensa. Ele se limita a olhá-la. Com a cabeça apoiada no travesseiro, de bruços, a contempla como se olhasse a mais bela obra de Delacroix. Ela se deita na mesma posição e passa a encarar seus olhos escuros como a noite, como se perguntasse o que aconteceria a partir dali, com se buscasse dentro daqueles buracos negros uma saída, uma fuga para qualquer lugar que não fosse aquele.
Sente-se culpada mas não pode evitar. Desde que se encontraram ela quer lhe dizer que está cansada e que seu toque já não lhe interessa mais. Mas essa convicção toda já não existe, o que existe é o toque. Aquele toque, aquela sensação de torpor reaparecendo, aquele abraço forte, aqueles braços que a cercam e pedem que nunca os abandone. A ponta dos dedos dele agora passeiam pela sua face, tão leves que parecem a brisa suave de uma manhã de inverno.
Sentando-se, ela acende um cigarro. Todos os pensamentos que inundam sua cabeça lentamente vão abandonando-a, como se saíssem expirados com a fumaça do tabaco que apoia entre os dedos. Silêncio.
"Achei que tivesse deixado de fumar." - Ele comenta, num tom suave, sem se levantar ou parar de deslizar os dedos pelas suas pernas, na mesma leveza com a qual acariciava seu rosto minutos antes.
"Gosto de fumar. Fumar um cigarro é como esquecer. Quando estive no fundo do poço, era tudo que eu tinha. Acender, fumar, calar a boca. Ele esconde a merda, me impede de enlouquecer e me mantém viva. Me mantém viva... até que eu morra."
Silêncio.
"E porque havia parado?"
"Porque achei que já havia enlouquecido. Havia enloquecido, pirado e nada disso mais adiantava."
"Mudou de idéia?" - Ele diz sentando-se ao seu lado.
Ela o olha por algum tempo antes de dizer que acabou. Que não o ama mais, que os problemas não são com ele. Enquanto diz isso pensa que não é a primeira vez, tampouco a última, que diz exatamente essas palavras. Mas é preciso, isso já foi decidido, e ela prefere não pensar nisso agora. Acende outro cigarro e sai. Em busca da noite, em busca de uma dose. Em busca de qualquer coisa que soe como uma tentativa de não enlouquecer, de ser feliz, de se sentir viva enquanto está.
(Inspirado em Les Amours Imaginaires e em comportamentos próximos)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Delírio
Me perco no som doce de tua fala e me encontro afundando no teu sorriso cada vez mais belo, indo cada vez mais fundo, até sentir a pele macia do teu lábio tocando meu corpo e sorguendo pêlos que levantam-se ao som de suaves suspiros de arrepio. Toco teu corpo quente e respiro o perfume que envolve tua pele, talvez uma mistura de colônia e cigarro e suor e teu cheiro.
Volto. Não ouvi o que dissestes. Não prestei atenção. Disfarço, sirvo-me de mais uma dose, levanto-me.
Um cigarro, um novo assunto, a embriaguez me deixando vulnerável e a lucidez me deixando paranóico. Resta-me esperar pra saber qual das duas vencerá. Por hoje.
Volto. Não ouvi o que dissestes. Não prestei atenção. Disfarço, sirvo-me de mais uma dose, levanto-me.
Um cigarro, um novo assunto, a embriaguez me deixando vulnerável e a lucidez me deixando paranóico. Resta-me esperar pra saber qual das duas vencerá. Por hoje.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Do sentimento
Gostar de alguém
me remete
ao isolamento.
Não há
uma alegria
que me salve.
É pena
eu ser assim,
um ser romântico.
Que vive
condenado
à solidão.
sábado, 2 de abril de 2011
Não linear
Do te ver ao querer te conhecer foram apenas alguns segundos, nem isso.
Do querer te conhecer à minha atitude, algumas horas. Exagero?
Desta atitude ao descobrir teu nome, contemplar teu sorriso e gostar de você, uns minutos. Ou menos?
Enquanto te ouvia, saltos no tempo. E perdição.
Ao longo da noite, suspiros e doses.
Na hora do tchau, desajeitos, risos e um beijo.
Deste beijo até hoje, uma eternidade. Ou mais.
(versão original publicada em 28/03/2010)
Do querer te conhecer à minha atitude, algumas horas. Exagero?
Desta atitude ao descobrir teu nome, contemplar teu sorriso e gostar de você, uns minutos. Ou menos?
Enquanto te ouvia, saltos no tempo. E perdição.
Ao longo da noite, suspiros e doses.
Na hora do tchau, desajeitos, risos e um beijo.
Deste beijo até hoje, uma eternidade. Ou mais.
(versão original publicada em 28/03/2010)
segunda-feira, 28 de março de 2011
Dos amores imaginários
Tudo aconteceu depressa demais.
Olhares cruzados, desvios rápidos.
Alguns toques desajeitados ao acaso.
E a minha paixão.
Será que quando me conheceu você tinha mesmo os olhos curiosos?
E todos aqueles risos e papos intermináveis, será que eram mesmo perfeitos?
Hoje eu vejo
Que tudo aconteceu depressa demais.
E apenas na minha cabeça.
Olhares cruzados, desvios rápidos.
Alguns toques desajeitados ao acaso.
E a minha paixão.
Será que quando me conheceu você tinha mesmo os olhos curiosos?
E todos aqueles risos e papos intermináveis, será que eram mesmo perfeitos?
Hoje eu vejo
Que tudo aconteceu depressa demais.
E apenas na minha cabeça.
quarta-feira, 16 de março de 2011
Do super Dú
Até os 17 anos Eduardo - ou Dú, como era chamado pela família - era absolutamente normal. O que você pode pensar agora é "mas o que é ser absolutamente normal?", então vamos esclarecer melhor essa história.
Dú era um rapaz de 17 anos, estava no último ano do colégio, usava óculos, era bom aluno e com poucos bons amigos. Como a maior parte dos meninos de sua idade, Dú tinha um interesse grande pelo sexo oposto, interesse este que não fora correspondido por nenhuma garota que ele havia conhecido até então.
Mas ao ingressar na universidade, Dú foi surpreendido por coisas que jamais imaginara acontecer. Começou quando ele conseguiu manter uma conversa de duas horas com uma garota linda e espantado a ouviu pedir seu telefone quando disse que tinha que ir. Nesse momento ele percebeu que tinha algo diferente, parecia que as palavras brotavam de sua boca em perfeita harmonia com seus pensamentos e levando em conta todas as opiniões que se manifestavam no ambiente. Nesse momento, Dú percebeu que com isso era capaz de fazer qualquer coisa.
Nos anos seguintes, Dú se tornou o cara mais popular da faculdade. Foi presidente da Secretaria Acadêmica, representante de turma e presidente do DCE. Não existem muitos documentos que comprovem os feitos de Eduardo, mas dizem que foi nessa época que surgiu a sua paixão pelas artes, consequência da sua entrada em um grupo de teatro amador que se reunia no Centro Acadêmico. Além disso, há os boatos de que ele havia tido um papel de extrema relevância no fim da Guerra Fria e do Pacto de Varsóvia, embora ninguém saiba como, além de um ano depois convencer uma população de estudantes à ir as ruas e exigir o Impeachment de um certo presidente corrupto. Foi eleito orador da turma e emocionou pais, alunos, professores e quem mais estava presente. E aí não parou mais.
Dú havia se tornado o cara mais inteligente do mundo. Com suas palavras sempre bem colocadas, ele era capaz de convencer qualquer ser vivo do planeta. Aos vinte e sete, convenceu Hussein I da Jordânia e Yitzhak Rabin de Israel que o Tratado de Paz era a melhor escolha. Além disso, teve papel fundamental em diversos eventos históricos, como a devolução de Hong Kong e Macau à China, o fim da Guerra da Bósnia, entre outros.
No século 21, Dú foi perdendo a fé na humanidade. Decepcionado com o avanço da globalização e da consequente devastação do meio ambiente, Dú se isolou do mundo. Nesse período de isolamento, ocorreram as tragédias envolvendo EUA e Iraque. Seu único feito notável foi convencer cientistas de que Plutão não poderia ser considerado planeta, e sim planeta-anão. Atualmente ele está saindo dessa fase e voltando à ativa, mas ninguém sabe ao certo onde ele está. Foi visto no Egito nos últimos tempos em alguns discursos que motivaram a população, e num almoço com o representante local. Apesar de chamar Mubarak de "velho teimoso", Dú conseguiu convencê-lo de que já era hora de sair.
Fora isso, continua fracassando com as mulheres e sofrendo de solidão demasiada. Mas está feliz, segundo ele o ser humano não tem culpa de suas burradas, apenas tem culpa de não aprender com elas.
Dú era um rapaz de 17 anos, estava no último ano do colégio, usava óculos, era bom aluno e com poucos bons amigos. Como a maior parte dos meninos de sua idade, Dú tinha um interesse grande pelo sexo oposto, interesse este que não fora correspondido por nenhuma garota que ele havia conhecido até então.
Mas ao ingressar na universidade, Dú foi surpreendido por coisas que jamais imaginara acontecer. Começou quando ele conseguiu manter uma conversa de duas horas com uma garota linda e espantado a ouviu pedir seu telefone quando disse que tinha que ir. Nesse momento ele percebeu que tinha algo diferente, parecia que as palavras brotavam de sua boca em perfeita harmonia com seus pensamentos e levando em conta todas as opiniões que se manifestavam no ambiente. Nesse momento, Dú percebeu que com isso era capaz de fazer qualquer coisa.
Nos anos seguintes, Dú se tornou o cara mais popular da faculdade. Foi presidente da Secretaria Acadêmica, representante de turma e presidente do DCE. Não existem muitos documentos que comprovem os feitos de Eduardo, mas dizem que foi nessa época que surgiu a sua paixão pelas artes, consequência da sua entrada em um grupo de teatro amador que se reunia no Centro Acadêmico. Além disso, há os boatos de que ele havia tido um papel de extrema relevância no fim da Guerra Fria e do Pacto de Varsóvia, embora ninguém saiba como, além de um ano depois convencer uma população de estudantes à ir as ruas e exigir o Impeachment de um certo presidente corrupto. Foi eleito orador da turma e emocionou pais, alunos, professores e quem mais estava presente. E aí não parou mais.
Dú havia se tornado o cara mais inteligente do mundo. Com suas palavras sempre bem colocadas, ele era capaz de convencer qualquer ser vivo do planeta. Aos vinte e sete, convenceu Hussein I da Jordânia e Yitzhak Rabin de Israel que o Tratado de Paz era a melhor escolha. Além disso, teve papel fundamental em diversos eventos históricos, como a devolução de Hong Kong e Macau à China, o fim da Guerra da Bósnia, entre outros.
No século 21, Dú foi perdendo a fé na humanidade. Decepcionado com o avanço da globalização e da consequente devastação do meio ambiente, Dú se isolou do mundo. Nesse período de isolamento, ocorreram as tragédias envolvendo EUA e Iraque. Seu único feito notável foi convencer cientistas de que Plutão não poderia ser considerado planeta, e sim planeta-anão. Atualmente ele está saindo dessa fase e voltando à ativa, mas ninguém sabe ao certo onde ele está. Foi visto no Egito nos últimos tempos em alguns discursos que motivaram a população, e num almoço com o representante local. Apesar de chamar Mubarak de "velho teimoso", Dú conseguiu convencê-lo de que já era hora de sair.
Fora isso, continua fracassando com as mulheres e sofrendo de solidão demasiada. Mas está feliz, segundo ele o ser humano não tem culpa de suas burradas, apenas tem culpa de não aprender com elas.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Matutino
Avistei dois estranhos passarinhos
na janela do meu quarto a conversar
Estavam sussurrando, pianinhos
um deles curioso a me fitar
Tentei me aproximar devagarinho
movimento levezinho pelo ar
Um deles piou algo bem baixinho
E os três se puseram a gargalhar.
na janela do meu quarto a conversar
Estavam sussurrando, pianinhos
um deles curioso a me fitar
Tentei me aproximar devagarinho
movimento levezinho pelo ar
Um deles piou algo bem baixinho
E os três se puseram a gargalhar.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Da noite
Um bar, um bar como outro qualquer. Ao som de Chico, conversas altas e risadas estrondosas de uma multidão de rostos desconhecidos que de repente viraram figurantes da nossa história. Ele no papel principal, estava no centro, e era tão fácil achá-lo que todos os meus olhares perdidos acabavam sendo puxados para ele e eu ia me perdendo no castanho de seus olhos que me fitavam curiosos. Mais algumas doses, e a coragem vem. Será? Continuo a conversa com os amigos sem o menor interesse pelo que dizem. Gestos milimetricamente calculados, imaginando como ele me vê.
Um cigarro. Uma ótima desculpa para sair dessa conversa que já me chateia e ter um momento de tranquilidade numa área de fumantes desconhecidos que são levemente ocultados por uma névoa de fumaças que sobem no ritmo dos suspiros que irrompem no ar. Uma chama, um trago e um momento de tranquilidade, que se vai quando o vejo se aproximar. Meu coração nervoso se acelera tanto que chego a olhar em volta e verificar se alguém ali ouvia as batidas se misturando com os tambores daquele sambinha distante. Mas ele para, como se não soubesse que eu estava ali, que eu era o seu destino naquela noite. Termino meu cigarro e volto para a mesa, no caminho tropeço naquele olhar e paro por um instante, até me localizar e seguir em frente.
Uma amiga acena do balcão, me diz algo que eu não ouço e me dá um copo. Uma multidão de figurantes que agora dançam ao som dos pandeiros. E rodam, descrevem círculos no ar, cada vez mais rápidos. Até que ele chega e ocupa o centro desse círculo. Um ponto fixo na minha embriaguez, eu confesso. Pediu uma vodka, disso eu me lembro bem. Me aproximo, digo um oi de velho conhecido e ele me responde da mesma forma. Conversas alcoolizadas, risadas perdidas e um interesse mútuo em descobrir as coisas do outro, para depois esquecê-las.
Fim da noite, um táxi comum, um chegar em casa, não repare na bagunça, um Belle and Sebastian e um abraço. Uma camiseta umidecida pelo calor do bar, um cheiro de perfume com um toque de suor, do seu cheiro, da essência deliciosa que sua pele morena solta em mini-gotículas cintilantes que se perdem nos pelos negros e densos. Sinto seu gosto doce contrastando com o amargo das vodkas e cigarros que se encontra em minha boca. Olho-o de baixo e vejo o seu sorriso de canto de boca, aquele que me fascinou horas atrás. Amanhece, deitamos e cochilamos. Acordo e o vejo se vestindo. Finjo que ainda durmo quando me dá um leve beijo e parte. Me levanto, sacio a sede e tento matar a ressaca com banho, cafeína e tabaco. Penso nele pela última vez, e saio atrasado pro trabalho.
Um cigarro. Uma ótima desculpa para sair dessa conversa que já me chateia e ter um momento de tranquilidade numa área de fumantes desconhecidos que são levemente ocultados por uma névoa de fumaças que sobem no ritmo dos suspiros que irrompem no ar. Uma chama, um trago e um momento de tranquilidade, que se vai quando o vejo se aproximar. Meu coração nervoso se acelera tanto que chego a olhar em volta e verificar se alguém ali ouvia as batidas se misturando com os tambores daquele sambinha distante. Mas ele para, como se não soubesse que eu estava ali, que eu era o seu destino naquela noite. Termino meu cigarro e volto para a mesa, no caminho tropeço naquele olhar e paro por um instante, até me localizar e seguir em frente.
Uma amiga acena do balcão, me diz algo que eu não ouço e me dá um copo. Uma multidão de figurantes que agora dançam ao som dos pandeiros. E rodam, descrevem círculos no ar, cada vez mais rápidos. Até que ele chega e ocupa o centro desse círculo. Um ponto fixo na minha embriaguez, eu confesso. Pediu uma vodka, disso eu me lembro bem. Me aproximo, digo um oi de velho conhecido e ele me responde da mesma forma. Conversas alcoolizadas, risadas perdidas e um interesse mútuo em descobrir as coisas do outro, para depois esquecê-las.
Fim da noite, um táxi comum, um chegar em casa, não repare na bagunça, um Belle and Sebastian e um abraço. Uma camiseta umidecida pelo calor do bar, um cheiro de perfume com um toque de suor, do seu cheiro, da essência deliciosa que sua pele morena solta em mini-gotículas cintilantes que se perdem nos pelos negros e densos. Sinto seu gosto doce contrastando com o amargo das vodkas e cigarros que se encontra em minha boca. Olho-o de baixo e vejo o seu sorriso de canto de boca, aquele que me fascinou horas atrás. Amanhece, deitamos e cochilamos. Acordo e o vejo se vestindo. Finjo que ainda durmo quando me dá um leve beijo e parte. Me levanto, sacio a sede e tento matar a ressaca com banho, cafeína e tabaco. Penso nele pela última vez, e saio atrasado pro trabalho.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Das tentativas
Ana conheceu o orgasmo aos doze anos. Era um dia normal, ela brincava na sala quando sentiu um calor e uma vontade enorme de se tocar. E tocou. Tocou muitas vezes. E aos poucos foi descobrindo o chuveiro, o bidê e outros aparatos que a faziam chegar no céu. E passar do céu, subindo cada vez mais alto. Aos dezesseis, Ana conheceu um pinto, e outro, e outro e mais um. Nessa busca incansável, nenhum a fazia ir tão alto quanto aquele chuveiro.
Aos vinte, Ana conheceu Raísa. E sossegou.
Aos vinte, Ana conheceu Raísa. E sossegou.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Duas mortes
Morto. Ele está morto. E isso me dói tanto, mas tanto, que chego a pensar que ser esquartejada por mil lâminas doeria menos, pois assim eu não estaria aqui, viva e abandonada, numa sala cheia de imbecis que acham que minha dor diminui com abraços frios e frases feitas.
Quisera eu ter partido com Edward. Finalmente viveríamos no mesmo mundo. Seria como quando nos conhecemos, jovens e sonhadores, repletos de ideais e fantasias que quase nunca se tornaram realidade. Mergulhados num mundo de sensações, nossa vida era o agora.
E agora, não há mais vida. Só me resta chafurdar nessa dor que me corta as veias sem jorrar sangue, pois este quase nem mais circula nesse corpo vazio e gelado, tão morto quanto o de Edward. Dois cadáveres é o que somos agora, e como se isso não bastasse, sou obrigada a fingir que estou viva e apertar mãos e abraçar pessoas que nem me lembro quem são no momento.
Por quê não nos deixam a sós? Não sabem o quanto ele riria dessa situação hipócrita. Um velório civilizado para o jovem que enlouqueceu, não é isso que pensam todos vocês? Pobre Edward, vamos esquecer que quando o obrigamos a viver na nossa realidade mesquinha, acabamos por matá-lo. Vamos esquecer que o chamamos de louco pelas costas e sentimos pena, afinal ele era um jovem tão bonito. Vamos esquecer tudo e enterrá-lo como manda o figurino.
Não sabem o quanto ele acharia isso podre. Posso vê-lo aqui, com seus cabelos cacheados, rindo de todos vocês, talvez perguntando porque serviam café e não vodka. Acenderia um cigarro, e quando me visse me faria um carinho no rosto, carinho esse que me arrepiaria, como se ao seu toque flores se soerguessem em cada poro do meu corpo, num misto de torpor e calmaria.
Me lembro da primeira vez que esse sentimento me possuiu. Me lembro das vezes que, em frente ao espelho, desejei ter nascido homem parar poder ter por uma noite aquele homem me possuindo. Me lembro de ter chorado escondida no banheiro de uma boate ao vê-lo sair com outro cara pela primeira vez. E de como ele me consolou, e me livrou de todas essas encanações dizendo que era meu, mesmo se entregando pra outro.
EU vivi no seu mundo. Não apenas nele, como Edward, mas sinto orgulho em ter sido uma das poucas que teve a honra de adentrá-lo. Eu queria mais. Quando Edward gritava naquela camisa de força sendo bruscamente puxado de volta pra essa podridão, eu queria ter forças para soltá-lo. Eu queria ter visualizado suas alucinações, eu queria o aquecer nos meus braços nas noites febris. Eu queria ter o poder da cura, para salvá-lo. Mas eu não tinha. Tinha apenas essa vontade arrebatadora de deixá-lo ser quem era.
Por isso o ajudei em sua decisão. E não me arrependo. Mesmo sabendo que minha vida acabava naquele instante, pois ela sem sombra de dúvidas depende da dele, eu o ajudei a morrer. Agora, olhando seu rosto pálido, eu me consolo um pouco, pois é como se sorrisse para mim, agradecendo por tê-lo livrado desse mundo que não era pra ele. E me fizesse crer que tudo vai ficar bem, pois em breve estaremos juntos de novo, em seu mundo.
Quisera eu ter partido com Edward. Finalmente viveríamos no mesmo mundo. Seria como quando nos conhecemos, jovens e sonhadores, repletos de ideais e fantasias que quase nunca se tornaram realidade. Mergulhados num mundo de sensações, nossa vida era o agora.
E agora, não há mais vida. Só me resta chafurdar nessa dor que me corta as veias sem jorrar sangue, pois este quase nem mais circula nesse corpo vazio e gelado, tão morto quanto o de Edward. Dois cadáveres é o que somos agora, e como se isso não bastasse, sou obrigada a fingir que estou viva e apertar mãos e abraçar pessoas que nem me lembro quem são no momento.
Por quê não nos deixam a sós? Não sabem o quanto ele riria dessa situação hipócrita. Um velório civilizado para o jovem que enlouqueceu, não é isso que pensam todos vocês? Pobre Edward, vamos esquecer que quando o obrigamos a viver na nossa realidade mesquinha, acabamos por matá-lo. Vamos esquecer que o chamamos de louco pelas costas e sentimos pena, afinal ele era um jovem tão bonito. Vamos esquecer tudo e enterrá-lo como manda o figurino.
Não sabem o quanto ele acharia isso podre. Posso vê-lo aqui, com seus cabelos cacheados, rindo de todos vocês, talvez perguntando porque serviam café e não vodka. Acenderia um cigarro, e quando me visse me faria um carinho no rosto, carinho esse que me arrepiaria, como se ao seu toque flores se soerguessem em cada poro do meu corpo, num misto de torpor e calmaria.
Me lembro da primeira vez que esse sentimento me possuiu. Me lembro das vezes que, em frente ao espelho, desejei ter nascido homem parar poder ter por uma noite aquele homem me possuindo. Me lembro de ter chorado escondida no banheiro de uma boate ao vê-lo sair com outro cara pela primeira vez. E de como ele me consolou, e me livrou de todas essas encanações dizendo que era meu, mesmo se entregando pra outro.
EU vivi no seu mundo. Não apenas nele, como Edward, mas sinto orgulho em ter sido uma das poucas que teve a honra de adentrá-lo. Eu queria mais. Quando Edward gritava naquela camisa de força sendo bruscamente puxado de volta pra essa podridão, eu queria ter forças para soltá-lo. Eu queria ter visualizado suas alucinações, eu queria o aquecer nos meus braços nas noites febris. Eu queria ter o poder da cura, para salvá-lo. Mas eu não tinha. Tinha apenas essa vontade arrebatadora de deixá-lo ser quem era.
Por isso o ajudei em sua decisão. E não me arrependo. Mesmo sabendo que minha vida acabava naquele instante, pois ela sem sombra de dúvidas depende da dele, eu o ajudei a morrer. Agora, olhando seu rosto pálido, eu me consolo um pouco, pois é como se sorrisse para mim, agradecendo por tê-lo livrado desse mundo que não era pra ele. E me fizesse crer que tudo vai ficar bem, pois em breve estaremos juntos de novo, em seu mundo.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Sobre os campos
Tinha uma praça onde só iam os sonhadores. Tim Maia estava lá com sua melodia irreverente, nos envolvendo num círculo de tranquilidade. Uma brisa soprou em meus ouvidos que aquela era a praça preferida da lua, que logo passou por ali imponente e esnobe, arrancando suspiros e iluminando os papos e os violões.
Estranhei quando a lua se foi, o sol chegou e o meu sonho continuava. Numa tarde de domingo, Caetano não conseguia cantar tanta alegria. Uma gata apareceu e encantou o ambiente com sua doçura. Me lembro que esta reapareceria mais tarde, usando um adereço vermelho, se deitaria em meu colo e eu acompanharia seu ronronar lentamente ficar tão leve quanto o ar da madrugada.
Me lembro ainda de uma jogatina. Álcool e cartas numa mesa de um casino onde tocava The Police. Os jogos jamais tinham fim, visto que ninguém perdia. Papos e risadas irrompiam no ambiente, agitação de fim de uma noite que durava dias. E de repente acabou.
Acordei exatamente as 19:00, tomei um ônibus e desembarquei na vida real.
Estranhei quando a lua se foi, o sol chegou e o meu sonho continuava. Numa tarde de domingo, Caetano não conseguia cantar tanta alegria. Uma gata apareceu e encantou o ambiente com sua doçura. Me lembro que esta reapareceria mais tarde, usando um adereço vermelho, se deitaria em meu colo e eu acompanharia seu ronronar lentamente ficar tão leve quanto o ar da madrugada.
Me lembro ainda de uma jogatina. Álcool e cartas numa mesa de um casino onde tocava The Police. Os jogos jamais tinham fim, visto que ninguém perdia. Papos e risadas irrompiam no ambiente, agitação de fim de uma noite que durava dias. E de repente acabou.
Acordei exatamente as 19:00, tomei um ônibus e desembarquei na vida real.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Obsceno
Chupe o dedo.
Após comer uma barra de chocolate ou saborear aquela fruta madura.
Chupe o dedo.
Ao se deliciar com chantilly e morangos ou mesmo após alguns beijinhos.
Chupe o dedo.
Chupe aquele dedo
Melado.
Após comer uma barra de chocolate ou saborear aquela fruta madura.
Chupe o dedo.
Ao se deliciar com chantilly e morangos ou mesmo após alguns beijinhos.
Chupe o dedo.
Chupe aquele dedo
Melado.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Da solidão
Atualmente não posso ficar dez minutos sozinho que eles se tornam duas horas de pensamentos obscuros que me devoram por dentro. E como devoram, mastigam minha carne como um puma faminto e alagam meu cérebro com uma lama tão densa que eu sinto que minhas veias irão explodir e esse lodo vai dominar o corpo todo. Aí eu preciso sair e ver gente, aí eu preciso sair e ser visto.
Um chato é alguém que nos priva da solidão sem ser companhia, disse Giovanni Vincenzo Gravina. Talvez, mas por me tirar dessa solidão, eu relevaria grande parte da sua chatice.
Um chato é alguém que nos priva da solidão sem ser companhia, disse Giovanni Vincenzo Gravina. Talvez, mas por me tirar dessa solidão, eu relevaria grande parte da sua chatice.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Receio
(Ao som de As rosas não falam, na voz de Ney Matogrosso)
"O que em mim te afeta?" - você me pergunta enquanto acaricia minha mão.
Eu penso: "Você, desde o primeiro momento. O seu primeiro sorriso enquanto me pedia informações banais, sua mania de gesticular e se expressar bem com as palavras. O seu olhar e o seu beijo que me afetaram e me afetam até hoje. Talvez o que você não saiba é que sua companhia me faz bem. Podes me acrescentar tanto e eu tão pouco a você que chego a ter medo de não te ver mais. Parece que quanto mais eu te conheço, mais eu sinto que isso vai acontecer, que esse caso de verão não vai durar até o outono, e isso me afeta tanto que chega a doer."
Faço uma cara séria, te olho e digo: "Não sei, nunca pensei nisso.Talvez o seu sorriso."
Seguro tua mão e desvio o olhar, pois sinto que meus olhos me traem e tentam te dizer a verdade.
"O que em mim te afeta?" - você me pergunta enquanto acaricia minha mão.
Eu penso: "Você, desde o primeiro momento. O seu primeiro sorriso enquanto me pedia informações banais, sua mania de gesticular e se expressar bem com as palavras. O seu olhar e o seu beijo que me afetaram e me afetam até hoje. Talvez o que você não saiba é que sua companhia me faz bem. Podes me acrescentar tanto e eu tão pouco a você que chego a ter medo de não te ver mais. Parece que quanto mais eu te conheço, mais eu sinto que isso vai acontecer, que esse caso de verão não vai durar até o outono, e isso me afeta tanto que chega a doer."
Faço uma cara séria, te olho e digo: "Não sei, nunca pensei nisso.Talvez o seu sorriso."
Seguro tua mão e desvio o olhar, pois sinto que meus olhos me traem e tentam te dizer a verdade.
Assinar:
Postagens (Atom)