segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sobre meu guardarroupas

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tomaram a forma do corpo..." (Fernando Teixeira de Andrade)

Oh, mas justamente as roupas usadas? Estas que sempre são as mais confortáveis, as mais agradáveis de se vestir.
Ou será que estas são as que nos habituamos tanto a vestir que nem mais refletimos antes da escolha? Será que não ficaria melhor se tentássemos outra combinação? Permutações de roupas velhas e novas. Ou ainda uma renovação total de guardarroupa, seria muito radical?

Atulamente minhas roupas velhas não me tem servido nem pra pijama. Ao invés disso me tiram o sono com a idéia de ter que vestí-las pra sempre.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Do feriado

Sol, areia e mar.

Foram tantas brisas e ventos agradáveis que sopraram que eu nem consigo mais achar aquele pensamento que me incomodava. Tá ali, perdido entre os outros.

Um dia eu arrumo essa bagunça. Ou nem.

Sobre rascunhos salvos

Texto perdido em uma das publicações não-publicadas:

És tão sublime que me precipito quando te vejo, e penso que que quando chegas, vai partir, e me partir.
Engraçada essa atração não-carnal, sem apelos, sem desejos. Essa fixação que já me fez sofrer, já me fez sorrir, e que hoje eu não sei o que me faz. O mais engraçado é que ela não passa.
E esse jeito como não tocamos nesse assunto, esse jeito como levamos?
Nos damos bem por que somos pessoas "sem compromisso", me diz, embora eu nunca tenha concordado com isso.





Ontem um amigo em comum me disse: "Não importa o que acontecer, tudo sempre volta pra'quela lavanderia".

E hoje eu finalmente entendi o que, naquele tempo, você queria me dizer.

domingo, 5 de setembro de 2010

Linha do tempo

Antes de ontem eu era um menino, brincava e corria feliz, descalço em estradas de terra. Achava que tudo seria assim pra sempre, que uma família reunida pra um jantar era uma coisa rotineira, e que não poder sair sozinho de casa era um absurdo, afinal eu era inteligente, como todos podiam notar.

Ontem eu era um jovenzinho, uma bomba-atômica de hormônios, fascinado por ser um adolescente e assustado com algumas coisas que fugiam da normalidade.
E que fuga! O exagero, que sempre fez parte da minha vida, nessa época marcava meus pensamentos, e eu achava que estava sozinho no mundo, que não havia ninguém como eu na face da Terra.

Hoje eu sou um homem, com barba e tudo. Mais realista, já não acredito mais em algumas coisas, já não espero que algo dure pra sempre, nem me acho alguém que não possa passar despercebido quando queira. Sei que existem pessoas que me compreendem, e sei que a familia não está reunida pro jantar mas está sempre ali pro que der e vier. Ainda levo o exagero e a arte de achar que probleminhas são problemões.

Amanhã eu não sei. Planos mudam, nada é certo. No momento, só não abro mão de uma dose na sexta à noite, de dormir abraçando alguém que faz toda a diferença e de dar boas risadas com pessoas que eu vou levar pra sempre, seja do meu lado ou na lembrança.



(Domingo a noite tem um quê de nostalgia ou eu que estou bobo demais?)

domingo, 15 de agosto de 2010

De uma analogia boba:

Se uma fruta amadurece, ela se desgruda do pé e cai.

Se a gente amadurece, parece que estamos cada vez mais fixos no mundo.

(E isso é bom? Não sei. Não sou tão maduro assim.)

Pausa

Rumos que eu não imaginava se fizeram na minha vida.

Sabe aquela história do escolher um caminho, e trilhar arduamente até o fim? Pura mentira!

Feche os olhos, e ande um pouco em frente. Você pode se deparar com uma clareira linda, com borboletas e um lago de águas cristalinas.

E eu garanto que aquele final vai poder esperar você se resfrescar um pouco.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Suspiro

Flutue.

Ande nas nuvens.

Sinta borboletas no estômago.

Sinta-se mais leve.

Sinta-se feliz.

Apaixone-se. :)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Volta.

A melancolia é o combustível pra minh'alma, é um vício.
Qual a graça dessa vida colorida e feliz?
Essa vida que só me faz ter saudades do cinza dos tempos em que eu sofria por você.

Bons tempos aqueles em que eu sofria por você. Escrever pra ti era mais fácil. A caneta traduzia toda minha amargura por não ter te visto em palavras amargas e tristes.
E agora o que sobra? Um copo vazio, um cigarro apagado. Uma vida vazia e monótona.

Mesmo sem querer, você me fazia feliz. E agora nem isso. E agora, nada.

sábado, 15 de maio de 2010

Anseio

Eu sempre achei o telefone uma coisa irritante...

...mas desde que te conheci, ele parece tão quieto.

domingo, 28 de março de 2010

Não - linear

Desde que te olhei, até querer te conhecer, foram alguns segundos. Nem isso.
Da vontade de te conhecer até a coragem de tomar alguma atitute, foram algumas horas. Exagero?
Da primeira abordagem, do descobrir seu nome, seu primeiro sorriso, até a primeira vez que eu gostei de você, foram alguns minutos. Ou menos?
E enquanto você falava, foram alguns saltos de tempo, e eu me perdia. Ouvir era difícil, te olhar era mais tentador. E eu disfarçava.
E até o fim da noite, foram alguns suspiros. E alguns copos.
E na hora do tchau, foram alguns desajeitos, algumas risadas. E um beijo.
E desse tchau até hoje foi uma eternidade. Ou mais.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Companhia

Para Ana o inferno é uma festa. Um mar de rostos desconhecidos, que sorriem e acenam. Ela não suporta a idéia de um lugar assim. Para Ana, o inferno é se sentir fora do mundo. Sentir que todos tem um pensamento que em sua cabeça não existe. Sentir que ela é alheia à tudo aquilo, que não consegue uma conversa duradoura num ambiente onde as pessoas sorriem e acenam falsamente umas pras outras. Onde a olham e pensam no preço de seu vestido, e não em como o cetim vermelho fica bem em seu corpo. Olham para seu rosto e vêem seu sorriso branco e perfeito, e pensam que ela deve ser feliz. Mas não reparam que é um sorriso forçado, e que seu olhar que na verdade clama por uma ajuda, por uma conversa agradável ou que pelo menos a deixem em paz.
Para Ana, o céu é um cigarro do lado de fora da festa. No silêncio, o som de seus suspiros sutis, e a imagem da fumaça se dissolvendo no ar. Em sua cabeça, um turbilhão de pensamentos interessantes, num papo silencioso consigo mesma.

sábado, 13 de março de 2010

Dificuldade

Enquanto você fala, eu só presto atenção em você.
O som emitido por esses seus lábios atraentes me parece uma coisa distante. Não dá pra evitar. A realidade foge, e pensamentos são seus, uma vontade de te tocar quase que indomável.

Você não sabe o quanto é difícil te olhar, e te ver me olhando, e te desejar em segredo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

pré-ocupação

Por quê as vezes é tão dificil viver o momento que se está sem pensar no que vai acontecer depois?
Eu acho que deveria ser proibido pensar no futuro em certas ocasiões. Pensar muito no próximo minuto faz com que a gente perca o minuto que está passando. E quantos minutos não perdemos por dia?

No fim, tudo é do jeito que deve ser. (adoro me consolar - ou enganar - com frases prontas).

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mudanças

Segunda-feira e o dia foi duro. Trabalhou o dia todo de enfeite, numa lan-house. Ao final do dia, ele gosta de se sentar com as pernas abertas, para alongar o corpinho. Estende para um lado, estende para o outro... e descansa. O problema é que Teddy já está muito descansado. E se sentindo gordo. Mas Teddy decidiu que vai dar um telefonema. Amanhã, a sua vida vai mudar. O seu dia vai ser diferente.
(Rita Apoena, Teddy está entediado)



Se eu tivesse mudado minha vida todas as vezes que isso foi planejado, eu já não sei que rumo minha vida teria tomado.
Mas mudar dói, então é mais cômodo permanecer assim, e fingir que as promessas de ontem feitas pra mim mesmo foram um momento de não-lucidez que não deve ser comentado (comigo mesmo).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quarta.

Ela acordou estranha. Não consegue parar de pensar. Lembranças do carnaval com ele.
Ele, com seus cabelos grisalhos e seu charme de pessoa madura. Ele que abria a porta do carro pra ela. E que a servia primeiro. E se punha numa postura elegante, a fitando como se ela fosse a coisa mais importante do mundo.
Será que estava fantasiando demais? Será que era isso mesmo? Ah, aquele elegante clube onde foram passar o mais luxuoso carnaval de sua vida. E o sexo após saírem do clube. Que sexo. Ele a possuíra como jamais alguém tinha feito. O toque. A pele. Sua mão deslizando pelo corpo dele. A noite perfeita, que ela tenta esquecer, mas não consegue. Já verificou se o telefone está funcionando umas cinco vezes. E nada. Ele não vai ligar, ela sabe. Afinal, em quartas-feiras de manhã quase ninguém a liga. Ela tenta se distrair, mas a lembrança dele vem. E o tempo passa. E ela sofre. E promete que nunca, nunca mais vai passar o carnaval todo com um cliente só, mesmo ele pagando adiantado.

Sobre o Carnaval II

Quarta feira. Serpentinas e lantejolas viram cinzas. E o ano realmente começa.
(pausa pra cigarro e massagem nas têmporas)

Resoluções e decisões tomadas para esse ano já foram esquecidas. Aliás tudo foi esquecido. Exceto a caipirinha e o gosto de limão azedo que ainda permanece na boca. Exceto a banda. Exceto a marchinha com seu refrão repetitivo e marcante.

A festa que dura cinco dias acabou.

Sobrou um cigarro, algumas lembranças e uma horrível dor de cabeça.
Mais nada.

Feliz ano novo.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sobre o Carnaval

"Eu, ególatra céptico, cismava
Em meu destino!... O vento estava forte
E aquela matemática da Morte
Com os seus números negros me assombrava! "
(Augusto dos Anjos, Alucinação a beira-mar)



Uma grande amiga me disse que esses versos a fazia lembrar-se de mim. Talvez simplismente pela matemática da morte, ou talvez por eu ser ególatra, ela não soube me explicar muito bem.

Mas enfim, o que isso tudo tem a ver com carnaval?
Nada, além do leve gosto de embriaguez pela cerveja. E a incessante marchinha monossilábica que não cansa de se repetir ao fundo.

Do Título (ou breve apresentação, como manda a etiqueta)


Não irei me apresentar. Irei apenas apresentar esse blog, para que se em algum momento eu decida revelar a existência desse, o leitor possa ter ao menos uma explicação (não necessariamente lógica) dos fatos.
Há tempos não escrevia, e eis que semana passada por Acaso resolvi escrever. O resultado foi bom, segundo os leitores, mas isso não importa. O que me deu mais prazer foi criar o texto. Parecia que já estava tudo pronto numa parte de mim que sempre fora muda, e que agora podia falar e se expressar livremente.
Sobre o silêncio é justamente a voz dessa parte. Sobre o silêncio serão devaneios, coisas incertas.
Como quando se faz silêncio no meio de uma conversa. Existem pensamentos, dúvidas, reflexões, mas logo estas se perdem, com a pronúncia de alguma palavra, de um novo assunto.

(ao Marcelo, se algum dia ele chegar a ler esse blog: É tudo culpa sua, não paro de pensar desde nossa conversa)