Ela acordou estranha. Não consegue parar de pensar. Lembranças do carnaval com ele.
Ele, com seus cabelos grisalhos e seu charme de pessoa madura. Ele que abria a porta do carro pra ela. E que a servia primeiro. E se punha numa postura elegante, a fitando como se ela fosse a coisa mais importante do mundo.
Será que estava fantasiando demais? Será que era isso mesmo? Ah, aquele elegante clube onde foram passar o mais luxuoso carnaval de sua vida. E o sexo após saírem do clube. Que sexo. Ele a possuíra como jamais alguém tinha feito. O toque. A pele. Sua mão deslizando pelo corpo dele. A noite perfeita, que ela tenta esquecer, mas não consegue. Já verificou se o telefone está funcionando umas cinco vezes. E nada. Ele não vai ligar, ela sabe. Afinal, em quartas-feiras de manhã quase ninguém a liga. Ela tenta se distrair, mas a lembrança dele vem. E o tempo passa. E ela sofre. E promete que nunca, nunca mais vai passar o carnaval todo com um cliente só, mesmo ele pagando adiantado.
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