quinta-feira, 21 de julho de 2011

Do momento

Depois de tanto tempo passei a achar que somos como ímãs. Basta estarmos próximos pra não existir nada no mundo que faça cessar essa atração.









domingo, 17 de julho de 2011

Do luar

"Tenho um sorriso bobo
Parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda calma do mundo"

e mais um monte do Renato, uns Tom Zé, Novos Baianos, Chico, Cássia e Raulzito.

Nem a lua conseguiu dormir com tanta cantoria. Ficou lá, olhando de longe, iluminando as risadas até se cansar e ir embora. Sequer ouviu as saideras.

Lua careta.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Dos cigarros

Aquele toque. Com a ponta dos dedos ele era capaz de fazê-la se sentir bem como raramente se sentia. Era como se da ponta dos dedos dele faíscas quentes se soltassem e penetrassem-lhe os poros, atravessando a pele e circulando pelo corpo em uma velocidade absurda, mais rápido que seu sangue, ela acreditava.

Depois desse toque, vieram outros. Cada vez mais intensos, fervorosos. O torpor causado pelo contato ainda era presente e gradativamente foi se dissipando após se desencaixarem ofegantes.
Foi rápido, ela pensa. Ele se limita a olhá-la. Com a cabeça apoiada no travesseiro, de bruços, a contempla como se olhasse a mais bela obra de Delacroix. Ela se deita na mesma posição e passa a encarar seus olhos escuros como a noite, como se perguntasse o que aconteceria a partir dali, com se buscasse dentro daqueles buracos negros uma saída, uma fuga para qualquer lugar que não fosse aquele.

Sente-se culpada mas não pode evitar. Desde que se encontraram ela quer lhe dizer que está cansada e que seu toque já não lhe interessa mais. Mas essa convicção toda já não existe, o que existe é o toque. Aquele toque, aquela sensação de torpor reaparecendo, aquele abraço forte, aqueles braços que a cercam e pedem que nunca os abandone. A ponta dos dedos dele agora passeiam pela sua face, tão leves que parecem a brisa suave de uma manhã de inverno.

Sentando-se, ela acende um cigarro. Todos os pensamentos que inundam sua cabeça lentamente vão abandonando-a, como se saíssem expirados com a fumaça do tabaco que apoia entre os dedos. Silêncio.

"Achei que tivesse deixado de fumar." - Ele comenta, num tom suave, sem se levantar ou parar de deslizar os dedos pelas suas pernas, na mesma leveza com a qual acariciava seu rosto minutos antes.

"Gosto de fumar. Fumar um cigarro é como esquecer. Quando estive no fundo do poço, era tudo que eu tinha. Acender, fumar, calar a boca. Ele esconde a merda, me impede de enlouquecer e me mantém viva. Me mantém viva... até que eu morra."

Silêncio.

"E porque havia parado?"

"Porque achei que já havia enlouquecido. Havia enloquecido, pirado e nada disso mais adiantava."

"Mudou de idéia?" - Ele diz sentando-se ao seu lado.

Ela o olha por algum tempo antes de dizer que acabou. Que não o ama mais, que os problemas não são com ele. Enquanto diz isso pensa que não é a primeira vez, tampouco a última, que diz exatamente essas palavras. Mas é preciso, isso já foi decidido, e ela prefere não pensar nisso agora. Acende outro cigarro e sai. Em busca da noite, em busca de uma dose. Em busca de qualquer coisa que soe como uma tentativa de não enlouquecer, de ser feliz, de se sentir viva enquanto está.

(Inspirado em Les Amours Imaginaires e em comportamentos próximos)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Delírio

Me perco no som doce de tua fala e me encontro afundando no teu sorriso cada vez mais belo, indo cada vez mais fundo, até sentir a pele macia do teu lábio tocando meu corpo e sorguendo pêlos que levantam-se ao som de suaves suspiros de arrepio. Toco teu corpo quente e respiro o perfume que envolve tua pele, talvez uma mistura de colônia e cigarro e suor e teu cheiro.

Volto. Não ouvi o que dissestes. Não prestei atenção. Disfarço, sirvo-me de mais uma dose, levanto-me.

Um cigarro, um novo assunto, a embriaguez me deixando vulnerável e a lucidez me deixando paranóico. Resta-me esperar pra saber qual das duas vencerá. Por hoje.