domingo, 5 de setembro de 2010

Linha do tempo

Antes de ontem eu era um menino, brincava e corria feliz, descalço em estradas de terra. Achava que tudo seria assim pra sempre, que uma família reunida pra um jantar era uma coisa rotineira, e que não poder sair sozinho de casa era um absurdo, afinal eu era inteligente, como todos podiam notar.

Ontem eu era um jovenzinho, uma bomba-atômica de hormônios, fascinado por ser um adolescente e assustado com algumas coisas que fugiam da normalidade.
E que fuga! O exagero, que sempre fez parte da minha vida, nessa época marcava meus pensamentos, e eu achava que estava sozinho no mundo, que não havia ninguém como eu na face da Terra.

Hoje eu sou um homem, com barba e tudo. Mais realista, já não acredito mais em algumas coisas, já não espero que algo dure pra sempre, nem me acho alguém que não possa passar despercebido quando queira. Sei que existem pessoas que me compreendem, e sei que a familia não está reunida pro jantar mas está sempre ali pro que der e vier. Ainda levo o exagero e a arte de achar que probleminhas são problemões.

Amanhã eu não sei. Planos mudam, nada é certo. No momento, só não abro mão de uma dose na sexta à noite, de dormir abraçando alguém que faz toda a diferença e de dar boas risadas com pessoas que eu vou levar pra sempre, seja do meu lado ou na lembrança.



(Domingo a noite tem um quê de nostalgia ou eu que estou bobo demais?)

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