Para Ana o inferno é uma festa. Um mar de rostos desconhecidos, que sorriem e acenam. Ela não suporta a idéia de um lugar assim. Para Ana, o inferno é se sentir fora do mundo. Sentir que todos tem um pensamento que em sua cabeça não existe. Sentir que ela é alheia à tudo aquilo, que não consegue uma conversa duradoura num ambiente onde as pessoas sorriem e acenam falsamente umas pras outras. Onde a olham e pensam no preço de seu vestido, e não em como o cetim vermelho fica bem em seu corpo. Olham para seu rosto e vêem seu sorriso branco e perfeito, e pensam que ela deve ser feliz. Mas não reparam que é um sorriso forçado, e que seu olhar que na verdade clama por uma ajuda, por uma conversa agradável ou que pelo menos a deixem em paz.
Para Ana, o céu é um cigarro do lado de fora da festa. No silêncio, o som de seus suspiros sutis, e a imagem da fumaça se dissolvendo no ar. Em sua cabeça, um turbilhão de pensamentos interessantes, num papo silencioso consigo mesma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário